Manual Técnico – Projecto Nós e os Laços – ASOS / INR

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Manual Técnico – disponível brevemente.

Este manual pretende partilhar uma visão teórico prática da intervenção com famílias com crianças /jovens com Necessidades Educativas Especiais e/ou deficiência, mais especificamente  da Formação Parental/ promoção de competências parentais. Este manual é uma síntese/ avaliação do projecto e dos princípios que o regeram bem como constitui uma base para a replicabilidade  deste projecto noutros projectos congéneres.

Documento em formato pdf: capa e indice manual técnico

 

 

 

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Seminário Nós e os Laços

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Powerpoint de apresentação:  Seminário Nós & os Laços II

Participaram ainda as Dras Filomena Gaspar, Prof. da FPCE da UC e Rosália Coelho, Psicóloga no Agrupamento de Escolas de Aguada de Cima, Agueda. Ambas trabalham com Educação Parental e NEE’s. A sessão de abertura foi feita pela nossa Presidente, que transmitiu aos presentes uma mensagem enviada pelo Director do INR, IP, de felicitações pela iniciativa . Tivemos cerca de 40 participantes e o feed back foi bastante positivo.

Projecto Nós e os Laços

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Projecto Nós & os Laços  

 

 

 O Projecto Nós & os Laços está actualmente em desenvolvimento na Soltar os Sentidos – Associação Juvenil. Este projecto tem como pressuposto uma filosofia do fortalecimento das competências parentais, e portanto, uma orientação em função de modelos de promoção e desenvolvimento de competências nos vários elementos que integram o sistema familiar.

Pretendemos dessa forma que o nosso projecto, visando um Programa de Formação Parental se constitua como um projecto de grande potencial, cuja execução possa implicar benefícios, não apenas em termos de modificações de curto prazo, observadas na família e na sua interacção com criança/jovem, mas, sobretudo, nos efeitos que a modificação de crenças, expectativas, atitudes e práticas parentais poderão ter, a longo prazo, no tipo de interacções, experiências e situações de vida a que a criança em risco ou com necessidades especiais, terá acesso.

 Com inicio em Julho de 2011 a Dezembro 2011 (com a expectativa de consigamos sustentabilidade para assegurar a sua continuidade), podemos acompanhar 20 Famílias (ou mais). Este projecto tem como objectivos gerais a formação e treino de competências parentais, melhoramento do nível de informação e da capacidade dos pais na aquisição de estratégias facilitadoras da aprendizagem e de interacções mais positivas, promoção do nível de formação na área do desenvolvimento das crianças com deficiência, Promoção da informação e conhecimento junto das famílias, comunidade e serviços e por ultimo, a divulgação do projecto como recurso acessível á comunidade e a Promoção da Inclusão das Famílias e das Crianças/Jovens com deficiência/NEE.

A família constitui o primeiro lugar de toda e qualquer educação e assegura, por isso, a ligação entre o afectivo e o cognitivo, assim como a transmissão dos valores e das normas (Delors, J. & Alii, 1996, p. 111). Sabemos, também, que família é a unidade institucional básica da sociedade primariamente responsável pelas funções de desenvolvimento, educação e socialização que envolvem necessidades físicas, suporte emocional, oportunidades de aprendizagem, orientação moral, desenvolvimento da resiliência e auto-estima de uma criança. Nesta perspectiva, como nos diz Kumpfer (1999, p.18), “quando as famílias falham na resposta a esta responsabilidade para com as crianças todos sofremos”.

A família, em particular os pais, são os primeiros prestadores de cuidados, os organizadores, os modelos de comportamento, os disciplinadores e os agentes de socialização, assumindo um claro papel de educadores dos seus filhos. No entanto, muitos são os desafios que se colocam às famílias e aos pais, quando contra todas as expectativas chega ao seio familiar uma criança com necessidades educativas especiais e/ou problemas de desenvolvimento. Os pais não só têm de lidar com todos os desafios que subjazem á parentalidade como tem também de lidar com os desafios acrescidos de ter um filho com problemas de desenvolvimento. Não só pelo luto do filho imaginário que tem obrigatoriamente de elaborar enquanto pessoas e pais, como têm de se preparar emocional e cognitivamente para fazer face as exigências das suas funções enquanto pais e educadores. Tal como nos diz Baker (1989), ninguém se encontra preparado para se tornar pai (e portanto educador) de uma criança com problemas no seu desenvolvimento. Como é sabido, a condição de vulnerabilidade da criança (com deficiência ou em risco de desenvolvimento atípico) poderá potenciar um aumento nos níveis de stress parentais e familiares (Dale, 1996; Dinnebell, 1999) e implicar um esforço suplementar em termos de adaptação e organização do sistema familiar, no encetar de uma nova etapa do ciclo vital da família. Na verdade, a existência de uma criança, com necessidades especiais, no seio de uma família, coloca exigências que podem dificultar a capacidade da mesma para funcionar eficazmente e torná-la mais vulnerável a influências, situações e transacções com o envolvimento.

Neste contexto, os alicerces de um projecto que vise não só apoiar, mas FORMAR e INFORMAR estas famílias/ pais de crianças com problemas de desenvolvimento, assentarão na necessidade de promover um apoio efectivo aos pais, proporcionando-lhes informação de carácter prático e conhecimentos, transmitindo-lhes princípios de aprendizagem. Esta Formação e Informação visa a modificação do comportamento, a promoção de competências parentais, de comunicação e de resolução de problemas (Schaefer &Briesmeister, 1989), no fundo visa o CONHECIMENTO. Por outro lado, as sessões que serão promovidas com estas famílias, vão para além da aprendizagem e de aquisição de conhecimentos, procurando constituir-se como espaço reflexivo e de co-construção, para fazer face aos desafios emocionais colocados pela parentalidade e pelo stress adicional das necessidades educativas especiais.

Este projecto não pretende ser uma “escola de pais”, onde uns ensinam e outros aprendem, mas sim uma intervenção através da qual se faz uma co-aprendizagem, uma co- construção da realidade e das transformações pretendidas, sendo que se perspectivarão as famílias, os pais, como competentes para pensar e mudar.

O programa de Treino de Competências Parentais desenvolvido constitui uma excelente oportunidade para melhorar os níveis de informação bem como as competências educativas parentais procurando aumentar resultados e a percepção de auto-eficácia, no desempenho da função parental.

Para que tal objectivo seja concretizado, tentaremos seguir um modelo colaborativo, o que implica abandonar o papel de perito que ensina competências aos pais, e trabalhar conjuntamente com estes, solicitando activamente as suas ideias e sentimentos, tendo em consideração o seu contexto cultural e envolvendo-os no processo de partilha de experiências, discussão de ideias e resolução de problemas.

Por outro lado, propõe-se a construção de uma relação apoiante e recíproca, que considera de forma igualitária os conhecimentos do técnico e as forças e perspectivas únicas dos pais, assente no respeito pelo contributo de cada pessoa, na confiança e na comunicação aberta. (Webster-Stratton e Herbert (1993), assumindo uma perspectiva de empowerment.

Têm sido vários os investigadores que têm salientado as dificuldades que por vezes sucedem no processo interactivo, quando a criança/ o filho diverge dos padrões típicos de desenvolvimento. Estas crianças podem, durante os primeiros anos de vida, ser menos vigilantes e ter uma capacidade de resposta mais reduzida, mostrar-se mais irritáveis ou sonolentas, apresentar uma coordenação motora mais pobre, exibir padrões atípicos de choro, evidenciar um aparecimento tardio do sorriso e de determinadas aquisições motoras básicas, tornando, como refere Beckwtih (1992), as interacções precoces com os seus pais, mais difíceis e menos satisfatórias para os mesmos. Por outro lado, ao longo do seu desenvolvimento vão exigindo cada vez mais competências e conhecimentos dos seus pais, para que os mesmos possibilitem uma estimulação e apoio adequados de forma a promover o bem-estar, a autonomia, as competências, as aprendizagens e a inserção em formação/ vida activa. Sendo a aprendizagem destas crianças mais lenta e o ensino menos “natural”, é necessário mais planeamento, mais persistência, mais motivação e, muitas vezes, nestes meandros, os pais sentem-se inseguros sobre o que fazer e como o fazer. É neste sentido que o nosso projecto, procurando promover acções e sessões de formação parental, nos parece ser especialmente importante e profícuo para as famílias mas também (ainda que de uma forma indirecta) para as crianças e também, bastante eficaz na prevenção da ocorrência ou na minimização de problemas associados.

Pode dizer-se que a necessidade e importância de intervenções socioeducativas dirigidas aos pais, implementadas por profissionais é extrema definindo-se como um esforço no sentido de promover o fluxo de recursos e apoios à família, de modo a fortalecer o seu funcionamento, promovendo o crescimento e desenvolvimento dos seus membros e da família como um todo face a um desafio deste alcance.

Assim, este projecto visa, como dissemos atrás, assente no conceito de empowerment, desenvolver necessariamente mais capacidades, mais responsabilidades e também mais poder para os pais de crianças deficientes ou em risco de desenvolvimento (Coutinho, 2000). Este programa de FORMAÇÃO/ INFORMAÇÃO implica também a necessidade de uma colaboração estreita e nivelamento das relações entre pais, profissionais e comunidade, através do estabelecimento de parcerias efectivas entre ambos. Assim, pretende-se não só melhorar o nível de informação dos pais, aumentar as suas competências mas também sensibilizar para e accionar o acesso aos recursos da comunidade, por forma a promover um estilo de funcionamento mais positivo no seio da família e, consequentemente melhorar o bem-estar dos seus membros individualmente.

           Estas famílias, que são a nossa população-alvo, têm necessidades de informação para além das normalmente necessárias para criar uma criança sem deficiência. A criação de um projecto deste género será extremamente útil e importante para estas famílias, permitindo-lhes sentir-se mais informados, e eventualmente, mais competentes, em matérias que lhes interessam particularmente (não ficando determinados tipos de informação na posse exclusiva dos técnicos). Poderá também ser uma forma de se sentirem aptos a participar de forma mais activa na discussão de aspectos relevantes para a elaboração e implementação do programa de intervenção pedagógico-terapêutica, bem como do desenvolvimento ao longo da vida dos seus filhos.

 

Contactos:

www.soltar-os-sentidos.pt

 soltarossentidos@gmail.com

 239091794 / 964005758 / 915359243

 

O conceito

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Uma família, laços de afectos que unem e fazem crescer; “Nós” enquanto amarras, conflitos escondidos, lutos submersos e indizíveis, emaranhamentos, confusões e alianças que se formam e deformam a família, enquanto potenciadora de crescimento e seio de amor, cortando asas e prendendo crianças, pessoas, impedindo-as de encetar, (dentro de todas limitações (im) possíveis), percursos saudáveis e promissores enquanto indivíduos….

Nós”, enquanto equipa, que unida, pode intervir desatando nós…transformando-os em “laços”.